Plano Municipal de Turismo: 20 anos de diagnóstico sem entrega
Barra do Garças não sofre por falta de planejamento turístico. Sofre por algo muito mais sério: 20 anos de diagnóstico sem entrega.
Desde 2002, o município acumula planos municipais de turismo, estudos técnicos, diagnósticos, oficinas participativas e relatórios detalhados. Ao longo de mais de duas décadas, os documentos foram claros em apontar problemas, potenciais e caminhos. Planejar nunca foi o entrave. O desafio histórico sempre esteve na execução contínua e organizada dessas diretrizes.
O atual Plano Municipal de Turismo (PMT) é mais um exemplo disso. O documento existe, está publicado, é tecnicamente consistente e apresenta metas, diretrizes e visão de futuro. Ainda assim, grande parte de suas propostas permanece distante da prática cotidiana do turismo local. (https://www.barradogarcas.mt.gov.br/fotos_secretarias_downloads/131.pdf)

Enquanto os planos falam em governança, sustentabilidade, organização e profissionalização, o turismo real ainda opera de forma fragmentada, com informalidade, falta de padronização e pouca integração entre poder público, trade turístico e entidades representativas. Barra do Garças segue vivendo de potencial, quando poderia estar vivendo de resultados.
É preciso dizer com clareza: o principal problema do turismo local não é a ausência de atrativos, mas a ausência de comando, continuidade e governança.
A falta de definição clara de responsabilidades, a descontinuidade entre gestões e a fragilidade das instâncias de decisão enfraquecem qualquer política pública. O Conselho Municipal de Turismo existe, mas precisa de protagonismo real. O Araguaia Convention existe, mas precisa ser integrado de forma estratégica. O trade turístico existe, mas carece de organização e direção comum.
Outro ponto recorrente nos diagnósticos é a desordem na gestão dos atrativos turísticos. Falta cadastro, faltam regras claras e padrões mínimos de funcionamento. Regular não significa punir. Regular significa organizar, proteger o empreendedor sério, garantir segurança jurídica e melhorar a experiência do visitante.
Também é necessário avançar na estruturação de produtos turísticos. Barra do Garças ainda promove majoritariamente seus atrativos de forma isolada, quando o turismo moderno exige experiências organizadas, roteiros definidos, informações claras e serviços integrados. Paisagem por si só não sustenta um destino competitivo.
A promoção turística, por sua vez, precisa caminhar junto com a organização. Divulgar sem estruturar gera frustração, não fidelização. Turismo sustentável se constrói com planejamento, mas principalmente com execução, monitoramento e correção de rota.

Nesse cenário, a chegada do novo secretário municipal de Turismo, Weliton Marcos, representa uma oportunidade concreta de mudança. O desafio que se apresenta não é pequeno. Trata-se de enfrentar problemas acumulados ao longo de anos e transformar planos em prática, discurso em gestão e intenção em resultado.
O PMT não pede inovação mirabolante. Pede algo mais difícil: coragem para executar, capacidade de articulação e compromisso com a continuidade.
Depois de 20 anos de diagnósticos, Barra do Garças precisa dar o próximo passo. O turismo não pode mais ser tratado como promessa permanente. Precisa ser assumido como política pública estratégica, com organização, governança, regras claras e responsabilidade compartilhada.
O tempo do diagnóstico já passou.
O tempo da execução é agora.
Eduardo Oliveira
Ex-presidente do Araguaia Convention
Defensor da governança e da execução das políticas públicas de turismo

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